Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

1º Evento de angariação de fundos para as novas instalações da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul


16 | JANEIRO | 2010

22H30

FÓRUM LISBOA

| 1º Evento de angariação de fundos para as novas instalações

da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul


”A Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, instituição de utilidade pública, é uma das mais prestigiadas associações culturais de Lisboa que, ao longo da sua existência, tem tido um papel fundamental na afirmação e revitalização das artes, nomeadamente com o contributo para o incremento e valorização do Teatro Português, formando e fazendo emergir novos encenadores, actores e cenógrafos de grande relevância nesta área cultural.”

:: Câmara Municipal de Lisboa ::

2010 é um ano decisivo.

Não é todos os dias que uma instituição que vai comemorar 125 anos se prepara para uma mudança de instalações.

No 1º evento de angariação de fundos para as novas instalações da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul apresentamos: Voodoo Marmalade – uma marmelada de estilos. Esta talvez seja a melhor expressão para os definir. Dos clássicos dos anos 50 e 60, passando pelo rock dos 80 até chegar ao pop contemporâneo, está lá tudo em versões acústicas e bem divertidas.

Por gosto. E por uma boa causa.

ENTRADA

10,00 | Preço único

SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO GUILHERME COSSOUL

Lisboa, Av. D.Carlos I, 61 - 1º

Telefone: 21 397 34 71

Geral: geral@guilhermecossoul.pt

Departamento de Teatro: dep.teatro@guilhermecossoul.pt

Departamento Literário: dep.literario@guilhermecossoul.pt

Departamento de Artes e Ofícios: dep.arteseoficios@guilhermecossoul.pt

Departamento de Formação: dep.formacao@guilhermecossoul.pt

Departamento de Música: dep.musica@guilhermecossoul.pt

Departamento de Associativismo: dep.associativismo@guilhermecossoul.pt

www.guilhermecossoul.pt

NOTA: Se desejar receber esta Newsletter, por favor reencaminhe este mail para geral@guilhermecossoul.pt com o assunto “ADICIONAR”.

NOTA: Se desejar deixar de receber esta Newsletter, por favor reencaminhe este mail para geral@guilhermecossoul.pt com o assunto “REMOVER



Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

As Malditas "fotos de cena"

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

As Malditas


Preço dos bilhetes : 13 euros

Duração : 1h30 s/intervalo

Para maiores de 12 anos

De quarta a sábado às 21h30

As Malditas, texto de Luiz de Lima Navarro conta a história de três irmãs que moram juntas num 18° andar de um prédio abandonado; Gerusa, Merlusa e Santuza.

A acção desenrola-se em torno das várias tentativas de Merlusa e Santuza de impedirem o casamento de Gerusa com Adolfo Rodolfo que, já vestida de noiva, tenta a todo custo chegar a porta da igreja.

Comédia do género “besteirol”, que surgiu a partir da década de 70, no Brasil, composta de pequenos sketches, piadas, jogos de palavras e situações de nonsense.

Nas Malditas tudo é motivo para a sátira, desde os modismos verbais até aos comportamentais.

Encenação de Jaime Aragão da Rocha e nos papéis das três irmãs:

Rodrigo Saraiva actor em Morangos com Açúcar, Floribela, Rebelde Way, Jasmim ou o Sonho do Cinema

Rui Melo actor em Floribela, Aqui não há quem viva, Os Produtores, A Ópera de três Vinténs

Tobias Monteiro actor em As Vampiras Lésbicas de Sodoma, A Bíblia – Toda a palavra de Deus, sintetizada, Os Monólogos da Marijuana e Purgatório.

Um excelente momento de diversão e entretenimento para todo o público. Produção da In-Scala em cena no Teatro Tivoli.

Uma comédia a não perder, já premiada e há oito anos em cena no Brasil.

Etiquetas: , ,

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Os Produtores



Os Produtores é um filme transformado em comédia musical e de novo em filme.
Criado por Mel Brooks em 1968, conta a história de Max, um produtor da Broadway falhado (Miguel Dias) e Leo, um contabilista neurótico (Manuel Marques) que se juntam para realizar um esquema milionário que consiste em produzir o pior musical de sempre. Para o fazer, Max e Leo encontram a pior peça de sempre - “Primavera para Hitler”- um musical neo-nazi escrito pelo fanático Franz, o pior encenador de sempre e os piores actores de sempre, incluindo Ulla, uma bomba sueca (Rita Pereira). O esquema complica-se quando a peça acaba por ser confundida pelo público e críticos como uma sátira genial e se revela um sucesso.

Vencedor de 12 Tony Awards, “Os Produtores” é o musical mais premiado de sempre, foi traduzido para mais de 30 países e chega agora a Portugal.

A versão portuguesa é produzida por Pedro Costa e Gonçalo Castel-Branco, com encenação de Claudio Hochman, direcção musical de Nuno Feist, direcção de voz de Sara Bello e coreografia de Marco de Camillis.


Etiquetas: ,

Quinta-feira, Junho 12, 2008

Portugal no seu melhor ?



"Desviavas o cabelo do rosto enquanto olhavas para o chão. Olhei para a sombra do teu corpo desenhada no chão... olhei para os contornos das tuas costas... beijei-te a nuca. - Não tens que partir... - sussurrei-te. Olhaste para mim. Deslizavam do teu rosto lágrimas de sabor a sal e a saudade... Abraçaste-me... entraste no comboio e partiste...

Choveu a noite toda... do meu quarto senti como era negra a solidão.... acedi um cigarro... abri a janela... e deixei a noite entrar em mim..."

"Ao Sul" podcast na sua 11ª edição.

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Rosmaninho e Alecrim #3


Rosmaninho e Alecrim #2


Rosmaninho e Alecrim


Rosmaninho vive com o Pai Serapião numa casa que serve de oficina e loja de brinquedos. Serapião é um artesão de brinquedos. Ao aproximar-se o aniversário de Rosmaninho o pai enfrenta um dilema em relação ao presente que terá que escolher para a sua filha Rosmaninho. O dinheiro não é muito, e, para além disso, Serapião tem uma filha muito especial, Rosmaninho é uma criança que não sabe brincar. O conflito entre a espiritualidade do pai e a visão puramente materialista da filha está sempre presente. Durante esse fim de tarde, Rosmaninho é visitada por uma série de personagens. Alecrim o seu amigo preferido, Salsa a sua rival, e Rosa uma vendedora de flores muito especial, Paprika, a sua eterna empregada de limpeza, para além de um coleccionador de brinquedos muito enigmático que entra na loja com a intenção de comprar todos os brinquedos.
Quando Rosmaninho adormece, os bonecos da loja começam a ganhar vida um a um. O romance entre o Arlequim e a Bailarina, as suas lutas contra o Coleccionador, os conselhos e filosofias da Rosa Vidente e a luta da Boneca de Trapos para que Rosmaninho comece a aprender a brincar, vão iniciar um processo em Rosmaninho de contacto com um mundo de magia e fantasia. Quando Serapião, o seu pai, é incluído neste jogo de valores e de conflitos, Rosmaninho percebe que tudo o resto deixou de fazer sentido e o mais importante é preservar o seu amor. A única solução é jogar aquele sonho. A única solução é brincar.
Ficha Artística/Técnica
AUTORES DO PROJECTO Guilherme Filipe e Jorge Gomes Ribeiro
ENCENAÇÃO Guilherme Filipe
ELENCO Rita Trindade, Pedro Martinho, Quimbé, Ruben Santos, Sérgio Moura Afonso, Nuno Bernardo, Sónia Neves, Inês Fernandes; Catarina Belchior
Direcção Musical Maestro Francisco Cardoso
COREOGRAFIA Bruno Cochat

Horários:
Sábados às 16h00
Domingos às 11h30 M/4Bilhetes:Bilhete normal: 10€ (adultos) 8€ (crianças)
Grupo (+ de 15): 7€crianças com menos de 3 anos ao colo não pagam
Reservas: 21 396 53 60
e para escolas através de marcação
T. 21 888 50 93F. 213955845

Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

"Antígona" de Sófocles #3

"Antígona" de Sófocles #2

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

"Antígona" de Sófocles




Ficha Artística e TécnicaEspectáculo de Maria do Céu Guerra Cenografia de Carlos Amado Consultoria de Lagoa HenriquesElenco: Rita Lello (Antígona), José Medeiros (Creonte), João D’Ávila, Jorge Gomes Ribeiro, Maria do Céu Guerra, Mariana Abrunheiro, Rita Fernandes, Pedro Borges, Ruben Garcia, Sérgio Moras, Tiago Cadete


Nas palavras da encenadora:
A profundidade de Sófocles a analisar problemas como a fractura entre a lei natural e a lei do estado. A contradição entre a Justiça e a Lei, a tirania que se serve de decretos casuísticos para fundamentar e apoiar a sua “vontade de poder” e a desobediência de quem se torna intolerante perante o domínio do arbitrário transformado em lei, fazem de Antígona o texto mais exemplar e duradouro da tragédia grega.
Depois de um enorme percurso sobre as Antígonas da dramaturgia universal A BARRACA fixou-se no texto luminoso de Sófocles. Com 2500 anos “Antígona” é ainda uma lição sobre os extremismos dos nossos dias. O conflito que opõe a heroína ao poder autoritário acaba por ser o elogio do equilíbrio e do diálogo como forma de salvar as democracias.





O espectáculo classificado para M/12 estará em cena de 5ª a sábado às 21h30 e ao Domingo às 16h00.

Etiquetas: ,

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

2 Anos de Vida


E assim entramos no 2 ano de vida, idade certa para abrir-mos os olhos para a realidade....

Tivemos 2 anos a viver sonhos a esperar pelo melhor momento, chegou a altura de cair na real, ver como são as coisas de verdade, a realidade, viver o momento.....

2 anos de cheios de historias, de sons, musica, palavras, olhares, 2 anos para recordar, para esquecer.....


2 anos de Obrigado's


E assim nasce a nova realidade, com um novo olhar pelo mundo..........





Terça-feira, Dezembro 18, 2007


'Chega de manhã a casa ainda arrasado da noite... a loucura, o rosto das pessoas desfocado passavam rápido demais para ser relembrado. O sabor metálico e áspero fê-lo aperceber que foi uma longa noite...Olha para o chão... olha para a roupa espalhada... olha para o lado: uns olhos brilham entre os lençois. Sorri. ' - Bom dia...' Os olhos sorriem e de novo adormecem...'

Ao Sul Podcast#8

Terça-feira, Setembro 25, 2007

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Terça-feira, Agosto 28, 2007

Terça-feira, Abril 10, 2007



Um ano depois....

...depois do meu primeiro post e de me perder nos mundos do podcasting quis resgatar na sua mais pura essência o começo de uma paixão. 'Ao Sul' no seu modo mais original como um dj set feito em tempo real... em casa... em frente ao computador... sem qualquer tipo de manipulações de som excepto a arte de misturar tons com quem mistura sentimentos.

Ao Sul sessão em modo contínuo sem interrupções, vez voz apenas os beats com algumas gaffes mas com muita dedicação da nossa equipa.

Para ouvir e/ou fazer download

"Ao Sul"#8 Podcast Dj Session

Quarta-feira, Março 07, 2007


' - O tempo restringe apenas o corpo não as recordações! - dizia-o em voz alta enquanto caminhava pela rua revivendo passo-a-passo as suas memórias. Parou de frente da estação de comboios. O tempo passou... muito tempo... talvez demais...'

'Ao Sul' podcast #6 online

Download

Sábado, Fevereiro 17, 2007


'Esquecemos as folhas por escrever... palavras que ficaram ditas no vazio... no silêncio. Por detrás de uma conversa agradável encontramos o olhar de quem seduz e procura ser seduzido....talvez naquele gesto sem intenção encontremos a nossa salvação...'

'Ao Sul' podcast larga os sonhos descritos por uma voz e passa para uma mesa de mistura....

'Ao Sul' Chillout Session in MAGMA.

Quinta-Feira 6 de Dezembro a partir das 22h uma DJ session para aqueles que o prazer da conversa convida ao desejo de um momento único.

Apareçam e deixem-se ficar ao sabor do momento....

LOCALIZAÇÂO:
O Magma Carnaxide situa-se no Centro Cívico de Carnaxide (para quem não conheçe a zona vindo de Lisboa pela A5 é só entrar na primeira saída que diz Carnaxide, na primeira rotunda em frente, na segunda rotunda virar à esquerda e depois na 3ª à direita, não tem nada que enganar vêm logo umcentro com um jardim enorme. o Magma é o ultimo bar do lado esquerdo,quem vê do jardim fica mesmo por cima do BPI).

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007


Queria o mundo só para mim. Desenhar o teu rosto pelas praias,
montes, escarpas e mares...no horizonte escrevo o teu nome... quando
eu morrer é lá no alto que te vou recordar...

Ao Sul podcast #5

Sábado, Novembro 25, 2006


'Didi caminhava com o olhar posto no chão. Olhou para o amigo e sorriu.

- Bela aventura... - e voltou a pousar o olhar. Riram... riram mais alto e como crianças correram pela rua a gritar.

Nem sempre os sonhos tornam-se realidade... mas aqueles puros que tocam ao de leve pela quotidiana imaginação, quebram as mais duras barreiras, para, por momentos, sentirem-se divinos num mundo que deixou de acreditar nele mesmo.

Afinal... a noite era mesmo deles...'

--------------------------------------------------------------------------------

Nem meia hora tinha passado desde que deixara de chover. Pelo caminho mal alcatroado vía-se pequenos espelhos de água. Reflexos de luz rápidamente apagados pelo passar dos carros.

Sentía-se o frio mas não chegava a acalmar a ânsia, o receio, a surpresa que podiam ter. ouviam-se os passos a ecoar pelas pedras da calçada. Duas pessoas de passos rápidos, pequenos saltos sobre as poças. Um cigarro que se acende, um sorriso de cumplicidade partilhada. Abordados por uma prostituta, depois por outra e outra. Ríem-se deles, ríem-se para eles…. Oferecem um cigarro e desejam boa noite…. Sentem no ar o convite à aventura en troca de algum dinheiro… trocam de novo olhares cumplíces e continuam o seu caminho pelas mais escuras ruas de cidade.

Já tinham tudo estudado à semanas e aquela noite era A NOITE… o desembarque, o assalto, marcar posição e vencer! Aquela noite era deles!

“ – Acho que é alí à frente…” dizia a voz resmungada de um mendigo. “ – Axo que é ali…” Olharam para o fundo… não se vía nada…. Voltaram a olhar…. Nada… ouviam-se o barulho de pessoas fantasmas a ecoar mas… são vozes sem rosto….

Caminharam de forma hesitante: ” – Didi… axo que não é aqui.” – disse o amigo. “ – Não podia…” murmurou. Sentia que era demasiado tarde para voltar atrás. Já há mais de um mês que procurava aquele local. Uns diziam que não existia, outros simplesmente sorriam, faziam-se de tolas e de todos a mesma resposta: “ – Didi… sonhas o impossivel!”

Uns metros mais à frente… o vazio. Mais um passo e pareciam ter desaparecido na noite…. Vozes do lado… vozes que falam… vozes que ríem. Vozes por detrás de uma porta de ferro!

Respiraram fundo e bateram…

Nada…

Voltaram a bater, a mesma resposta: nada…

Didi encostou o ouvido há fria porta e susteve a respiração. Por detrás imaginou uma escadas escuras que desciam a um lugar. O fumo do tabaco misturado com o do suor, o odor dos corpos, o cheiro de flores mortas e perfumes baratos aqui e alí. O homem forte de chapéu feltro preto rí-se alto. Alguns cabelos brancos traem a sua juventude. Uma mulher de vestido comprido com uma falsa flôr dança entre muitas outras. Uma banda sobe para um triste e mal iluminado palco toca para aquela massa de gente. Um homem de pé, trompete na mão, o movimento nervoso dos dedos e os olhos embaciados pela droga e pelos sentimentos. Aquele homem sente um inspirante formigueiro e enquanto enche a boca e o peito já a musica desliza pelos dedos.

A porta abre-se. Um homem alto de fato escuro e gravata vermelha olhava-os sem dizer uma palavra. Da sombra que não lhe revelava o rosto vía-se o brilho decidido dos olhos. “ – Boa noite…” disseram de voz sumida. Sem qualquer resposta fechou-lhes a porta e ouviram o rodar da tranca.

Didi sentiu-se demasiado pequeno, demasiado ignorado… encostou o ouvido… e fechou os olhos…



Ao Sul sessão nº 4

Para ouvir e/ou fazer download: Ao Sul sessão nº 4

Sábado, Outubro 14, 2006


Ouvia-se lá fora o vento e a chuva que fustigava as janelas. Por todo o lado pequenas velas iluminavam a sala escura. Roupa espalhada pelo chão, o cheiro de alguma essência e tu… no meio daquele cenário parecias ter saído de um quadro de Klimt. Uma camisa de dormir negra como a noite e transparente como o teu desejo. As meias rendadas perdiam-se nas sombras do teu corpo.

Sem noção do tempo fiquei a olhar para ti. Parecias um sonho…. Mas quem estaria a sonhá-lo?



PODCAST - Ao Sul sessão #3
PODCAST - Ao Sul sessão #2

Nada ajuda o tempo a passar. O calor, o silêncio, a noite….

Perdido numa cama grande demais para mim, demasiada curta para os meus sonhos. Gostava de fechar os olhos e dormir. Caminhar por lugares pintados em tom de pastel, desenhados em telas brancas. Corpos nus sobre um rio.

Gostava de saber o teu nome… para chegar ao fim da estrada e chamar por ti…

…………………………………………………………………………….

Naquela noite estrelada e quente, muito quente, não corria nenhuma aragem.

Os corpos transpiravam ficando envolvidos por uma película líquida e lânguida como se tivessem entregado ao prazer.

Todo o ambiente era preenchido pelo cheiro da flor de laranjeira, pelos olhares, pelos gestos dançantes, por uma orgia visual estimulada pela música e pelo ar envolvente.

Os grilos cantavam, as pessoas dançavam e a sensualidade estava omnipresente; via-se nos gestos, sentia-se na gente, ouvia-se nas conversas.

Mário Rufino “Esta tristeza que me habita”

………………………………………………………………………………

Saber caminhar por lugares estranhos, explorar o desconhecido corpo de alguém, palavras que desfalecem nos lábios, beijos, suspiros sussurrados na noite…. Não vejo o teu rosto mas sinto o teu calor, oiço a tua voz mas não vejo os teus gestos. A noite é confidente dos amores proibidos, a loucura que nos apaixona aventura todos os dias…

…és alguém diferente na minha triste solidão.


Que céu é este que desliza silêncioso sobre mim? De quem é? Que nome terá noutras línguas que a terra criou e os homens aprenderam?

Deixa-me caminhar estrada fora e aprender os nomes que te deram. Saborear na língua outras línguas, sentir-me perdido na sua imensa solidão, navegar pelos mares e pelas estrelas. Vêr o nascer do sol, desenhar palavras na água e adormecer embalado pelas estórias de monstros e sonhadores.

Deixa-me tocar-te como se toca pela primeira vez no corpo de uma mulher. Vêr-te adormecida, serena e sensual. Ser sombra, ser corpo. Ser teu. Ser meu. Ser Alma....

Que sonho é este que sonhei... se o amor é loucura o meu sonho é este céu que desliza pelo sentimento....

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

Noite ao luar



Acorda estremunhada. Espreguiça-se lentamente e sorri. Ouve o estomago que lhe pede comida, sente o corpo que desfalece saciado. Olha para o lado e vê um corpo que repousa semicoberto pelo lençol.

" - que loucura..." sussurra. A cama desfeita, roupa pelo chão, o quarto quente e húmido... como o seu corpo... suado, amado... desejo e paixão...

Recorda os momentos que passam fugazes pela mente... gemidos... corpos em movimentos... o amor irracional dos tempos modernos... orgasmos e promessas...

Levantou-se e caminhou para a casa de banho... abriu a torneira e deixou o choveiro correr...

Como num antigo ritual despia-se e entrava devagar... mas não desta vez. Já estava despida, nua. Deixou a água correr sobre o corpo, um bálsamo que limpava-lhe o sangue e a alma. Pequenas manchas esbranquiçadas. Sorriu mais uma vez... foi uma noite louca...

Fechou o olhos e deixou-se envolver... Sentiu movimento atrás de si. Voltou-se... bom dia... beijou-o... afinal a noite tambem se tinge com cores azuis e prolonga-se até à exaustão...

Terça-feira, Junho 20, 2006

"Realidade... que realidade é esta? Será que tudo o que eu toco, cheiro e sinto existe? para trás ficou o que resta do mundo... à minha frente apenas o negro que revela-se em cada passo...
Corro... corro... corro... o peito quer explodir... respiro fundo... concentro-me na escuridão que se fecha adiante... corro.. apenas corro por correr... não penso.. não sinto... será tudo isto real?

Textura e cores... viagens pelo consciente... desejos no inconsciente... área.. espaço... vazio.. branco... nada! Podia olhar para trás... podia até parar... gritar, gemer, caír e rebolar. Sentir dor, ser ferido. Dár o termo final a esta inconsciência... calar?

Como podes calar palavras ofegantes? As dores que deslizam pelas pernas, pelos músculos... por toda pele suada... corro... corro.. corro...

Sinto-me o rato no lambirinto... sinto-me o lambirinto que tenta confudir o rato... sou as paredes, os caminhos sem saída, as alternativas, os perigos e a salvação.
Sou as palavras de aviso, sou o perigo, salvação, o silêncio e a voz que grita dentro de mim... sou tudo: o universo; Sou deus, religião, bíblia. Sou a fábula, o engano, a ignorância e a sapiência. Sou o salvador e levo a salvação dentro de mim quando toda a gente julga-me pela loucura.

...respiro fundo... respiro ofegante... as dores... o espaço... corro... corro... uma viagem sem fim... sem principio... nada... corro... corro..

Uma voz que me guie... uma mão que agarre... algo... algo que faça-me parar... algo... algo... alguém... será que existo se sinto dores?

Diz-me.... será que tudo isto existe?"

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006



Ouviu de forma deliciosa o barulho da chuva a bater contra a janela. Acordou feliz. À sua volta víu o que restou da noite: a roupa espalhada pelo chão, um cinzeiro cheio de beatas, uma cama desfeita de sonhos e um mundo criado pela solidão. Levantou-se espreguiçando cada músculo do seu corpo. Abriu a torneira e deixou a correr. Na rua as pessoas corriam, uma rapariga abriga-se debaixo de um toldo enquanto o grupo continua. Sorri e corre. Também ela sorriu mas ficou ouvindo a chuva a chamar pelos desejos.

Deitada num mar de espuma perfumada imaginou uma praia sua em que as ondas do mar passavam por ela acariciando o seu corpo, arrepiou-se. O frio excitou os mamilos deixando-os rijos. Mergulhou. Escutou o silêncio que era quebrado pelo gotejar da torneira. Fechou os olhos e, por instantes, sonhou...

A música fluia pelo ar como o fumo de um cigarro esquecido no meio de tantos outros...
Listed on BlogShares